Paulo Cecconi

Balbúrdia (site)

 

Quer pedir um café? Suco?

Quero.

Quer um café puro, com leite?

Quero.

Quer o quê, diacho?

Puro.

Moço, vê dois cafés PUROS pra gente. Vou te fazer algumas perguntas desnecessárias, Paulo, tudo bem?

Oi?

Você vem sempre aqui? Não, sério. Deixa eu ver a primeira pergunta… aqui: Que diabos aconteceu com você para resolver criar o Balbúrdia?

Vale mencionar que não criei sozinho. Balbúrdia vem de um esforço coletivo meu, do Liber Paz e do Lielson Zeni.

Ah, sim. Vou até convidá-los pra mesa depois. 

Não foi nada muito pensado. É só a manifestação digital resultante de muitas e muitas conversas com amigos e a vontade de falar sobre o assunto o máximo possível.

Certo. E o que mais te deixa excitado em uma narrativa gráfica? Física ou mentalmente, tanto faz. Fique à vontade.

Eu gosto bastante de inovação e experimentação, então acho que o que mais me empolga é a abrangência das possibilidades. Gibi é um meio muito rico e que tem muita coisa pra explorar ainda.

O que é mais broxante?

O oposto da resposta anterior. Quando o autor/desenhista não explora a forma por preguiça ou meramente pra tornar mas acessível. Não vejo problema na acessibilidade, mas tem que ter um propósito além de chamar o leitor de burro.

Uma vez o Rafa foi categórico, como ele sempre é, e disse que os quadrinhos NÃO são o primo pobre do cinema. Acredito que você compactue da mesma ideia. Mas diga aí um quadrinho que seria legal ver nas telonas. Vamos fazer nossos amiguinhos ganhar uma grana com a cessão de direitos autorias ou morrer tentando.

Acho que gibi não é o primo pobre de nenhuma expressão artística. Sobre adaptações, no geral não curto, fora raras exceções. Mas pelo bem da pergunta, acho que um filme baseado numa história de terror do Corben seja uma boa. Há uns anos, fiquei sabendo que havia um interesse em adaptar O Vira Lata, do Libero Malavoglia e do Paulo Garfunkel, em um seriado. Isso também poderia ser interessante.

Muito. Até sei quem poderia fazer o casal. Uma quadrinista foda e porquê?

Eu adoro a Samantha Flôor, quero que ela faça cada vez mais quadrinhos. A Bianca Pinheiro é talentosíssima, tá cada vez melhor e é muito versátil. A Emily Carroll é uma autora britância com um traço lindo que faz histórias de terror muito fodas, com teor psicológico. E não dá pra esquecer da Bechdel, uma quadrinista que demorei pra conhecer, mas que me apaixonei completamente quando li.

Ah, esse teste de Bechdel… Entre uma leitura e outra, finais abertos ou histórias fechadas??

Se for feita direito e condizente com a sua proposta, acho ambos válidos.

Não sei se você leu o quadrinho Gosto do Cloro do Bastien Vivès…. Um casal de personagens está nadando na piscina. Tem uma cena onde ela diz algo  debaixo d´água e ficamos sem saber o que ela disse. Aquilo me pegou de jeito. Existe alguma cena nos quadrinhos que vale a pena comentar aqui?

Adoro o Gosto do Cloro. Gosto muito do Vivès. E cenas tem várias. Na adaptação de Vidas Secas, do Guazzelli, quando o cachorro morre, só vemos um ponto vermelho desenhado, acho muito forte aquilo. O final de Wilson, do Daniel Clowes, quando ele olha a chuva me emociona muito também. A sequência de Aventuras na Ilha do Tesouro, do Pedro Cobiaco, quando ele fala do pai me bate muito forte, quase me leva às lágrimas. E sempre achei lindo o discurso do Dr. Manhattan sobre o milagre de cada nascimento, em Watchmen.

Perfeito. Agora é a hora da pergunta indecente. Posso? Não é algo que eu queira perguntar, mas preciso seguir um roteiro. Se você fosse um personagem dos quadrinhos, quem seria? Desculpa.

É bem indecente. Eu gosto de indecências.

Ai que safadinho.

Acho que seria muito divertido ser o Corto Maltese.

Safadinho duplo. Imagine que você está na pele desse personagem e seu futuro, por algum motivo, parece desesperador. O que você gostaria de fazer exatamente agora?

Xixi.

Última pergunta e prometo não te aporrinhar mais. Ao menos, não por enquanto. (piscadinha) Mas gostaria que você fosse sincero. Como foi para você ser abduzido? 

Foi uma puta experiência. Adoro conhecer pessoas novas e culturas diferentes.

Obrigada pela entrevista, querido. Aceita uma sobremesa?

Não entendi a pergunta.

Acabou de perder um pêtit gateau, bonitão.

flerte4-paulo-cecconi

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2 comentários sobre “Paulo Cecconi

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