Guilherme Kroll

Editor da Balão Editorial.

 

Quer pedir um café? Suco?

Obrigado, não bebo café. Vou de coca mesmo. 

Moço, vê duas cocas pra gente. Vou te fazer algumas perguntas desnecessárias, Gui, tudo bem?

Claro.

Que diabos aconteceu com você para resolver editar quadrinhos?

Eu edito quadrinhos porque os amo, muito. Fui alfabetizado por eles, forjei meus princípios por eles. Eles me ajudam a refletir, a pensar, a me entreter. Acho que são muito importantes, e por isso eu quero que eles ganhem a luz do dia.

Pode compartilhar algum desses princípios e citar a fonte?

De fazer o que é certo, procurar ser honesto sempre, respeitar as pessoas. Homem-Aranha.

Que bonitinho… Aproveite para dizer o que te deixa excitado em uma narrativa gráfica. Física ou mentalmente, tanto faz. Fique à vontade.

Uma narrativa inventiva, uma arte interessante, personagens que me envolvam. São muitas coisas, mas tudo precisa se juntar em um resultado recompensador.

O que é mais broxante?

Uma arte que seja virtuosa sem ser narrativa, uma narrativa que seja simplória sem ser virtuosa, um gibi que não é o que o autor queria dizer mas apenas o que o público queria ouvir.

É preciso alimentar as massas. (risos) Uma vez o Rafa foi categórico, como ele sempre é, e disse que os quadrinhos NÃO são o primo pobre do cinema. Acredito que você compactue da mesma ideia. Mas diga aí um quadrinho que seria legal ver nas telonas. Vamos fazer nossos amiguinhos ganhar uma grana com a cessão de direitos autorias ou morrer tentando.

Recentemente li Bulldogma, do meu amigo Wagner Willian. Ao acabar de ler comentei com outro amigo que também tinha lido a HQ: “Bulldogma daria um ótimo filme, é incrível”.

Você tá de sacanagem comigo?! Aquele pigmeu andou falando de mim por aí, me desenhando nos quadrinhos dele sem me pedir autorização. Acho que não só ele. Uma renca! Você tá lá também, não está? Pode deixar que eu vou ter uma conversinha com ele.

Uma quadrinista foda e porquê?

Gail Simone, mais pelo engajamento do que pelas HQs, apesar das HQs serem muito boas. Alison Bechdel, mais pelas HQs do que pelo engajamento, apesar do engajamento dela ser muito bom. Marjane Satrapi, Rumiko Takahashi, Lu Cafaggi, Samanta Flôor, Marília Bruno, Fernanda Chiella, Bianca Pinheiro, Laerte… a lista é grande.

Me deu até calor! Entre uma leitura e outra, finais abertos ou histórias fechadas??

Finais abertos.

Não sei se você leu o quadrinho Gosto do Cloro do Bastien Vivès…. Um casal de personagens está nadando na piscina. Tem uma cena onde ela diz algo  debaixo d´água e ficamos sem saber o que ela disse. Aquilo me pegou de jeito. Existe alguma cena nos quadrinhos que vale a pena comentar aqui?

Ah sim, eu tenho obsessão por cenas, sejam de quadrinhos, de cinema ou da literatura. De supers, eu gosto muito da luta entre o Exterminador e a Liga da Justiça em em Crise de Identidade. Tudo na construção da cena é irretocável. Pode parecer pueril para muitos, então vou citar outras cenas de quadrinhos mais “sérios” (risos).

Em Assunto de Família, do Will Eisner, tem uma hora que o moleque pega a mãe fazendo sexo com o tio e toda a cena é mostrada pela perspectiva do menino. Foda demais. A cena final de Akira, de Katsuhiro Otomo, com a reconstrução de Tóquio é de arrepiar.

Perfeito. Agora é a hora da pergunta indecente. Posso? Não é algo que eu queira perguntar, mas preciso seguir um roteiro. Se você fosse um personagem dos quadrinhos, quem seria? Desculpa.

Acho que eu seria o Homem-Aranha, por ser um cagado na vida e querer fazer o certo, (risos). Mas não é quem eu gostaria de ser. Eu preferia ser o Tio Patinhas, (mais risos).

 

Imagine que você está na pele desse personagem e seu futuro, por algum motivo, parece desesperador. O que você gostaria de fazer exatamente agora?

Bom, eu faria o que sempre faço quando estou diante de um futuro desesperador: continuaria jogando com seriedade pra cair em pé.

Assim como o gato. Aliás, já te falei que você está gato hoje? (tocando a perna de Guilherme por baixo da mesa). Última pergunta e prometo não te aporrinhar mais. Ao menos, não por enquanto. (piscadinha) Mas gostaria que você fosse sincero. Como foi para você ser abduzido? 

O pior foi a sonda anal!

Bem, acho que é melhor encerrarmos por aqui. Obrigada pela entrevista, querido. Aceita uma sobremesa?

Não obrigado. Vou ficar só na coca mesmo.

Bem, vou pedir uma porção fritas. Se quiser, deixo você dar uma beliscadinha.

flerte5

 

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