Milena Azevedo

Garagem Hermética Quadrinhos (site)

 

Quer pedir um café? Suco?

Vou de mate com menta. Bem gelado, por favor! Não há nada melhor para refrescar.

Boa! Moço, vê dois mates com menta pra gente. Com gelo! Vou te fazer algumas perguntas desnecessárias, Milena, tudo bem?

Beleza! Vai que essas perguntas sejam relevantes para alguém, né?

Esse é o espírito da coisa! Falando em espíritos que diabos aconteceu com você para se interessar por quadrinhos?

Tudo aconteceu porque meus pais me apresentaram ao mundo da nona arte na tenra infância. Aí, você sabe, foram muitos desenhos na TV, peregrinação pelos sebos em busca de Asterix, até bater o olho em Will Eisner.

E ele costuma bater de volta!

O feitiço havia sido lançado e não havia para onde eu correr. Fiz até mestrado em História, mas a arte acabou falando mais alto e deixei a vida acadêmica de lado.

O que mais te deixa excitada em uma narrativa gráfica? Física ou mentalmente, tanto faz. Fique à vontade.

Quando um personagem é empático e seus conflitos são bem desenvolvidos, quando a narrativa é fluida e os diálogos são bem elaborados, o quadrinho me ganha na hora.

Somos duas, Mi. E o que é mais broxante?

Sabe uma história em que muita coisa acontece e parece que nada aconteceu? Pois isso me irrita. Exposição em demasia também (principalmente em forma de longos diálogos).

Hahaha, tem umas que cansam a beleza da gente. Dá até medo. Bem, uma vez o Rafa foi categórico, como ele sempre é, e disse que os quadrinhos NÃO são o primo pobre do cinema. Acredito que você compactue da mesma ideia. Mas diga aí um quadrinho que seria legal ver nas telonas. Vamos fazer nossos amiguinhos ganhar uma grana com a cessão de direitos autorias ou morrer tentando.

Mídias diferentes, orçamentos bem distintos.

E como!

Ah, tem uma HQ de fantasia histórica que quase ninguém se lembra: Arrowsmith, escrita pelo Kurt Busiek e desenhada pelo Carlos Pacheco (foi lançada aqui pela Devir).

Nossa, essa eu não conhecia. Deixa eu anotar aqui…

Eu adoro dragões, e inseri-los no contexto de uma 1ª Guerra Mundial alternativa foi um plot massa. Folgo um dia ver isso na telona.

Uma quadrinista foda e porquê?

Marjane Satrapi, com certeza!

Absoluta!! 

Ela trabalha temas delicados, de forma agridoce, e não tem medo de se expor. E sua arte minimalista casa perfeitamente com suas tramas. Ah, ela conseguiu ser cineasta, ainda por cima!

Ela não brinca em serviço. E ninguém tinha citado a Marjane ainda. Marjane, se você estiver por aí, um beijo, querida, um beijo! Deixa eu ver qual é a próxima pergunta… é… aqui! Não sei se você leu o quadrinho Gosto do Cloro do Bastien Vivès…. Um casal de personagens está nadando na piscina. Tem uma cena onde ela diz algo  debaixo d´água e ficamos sem saber o que ela disse. Aquilo me pegou de jeito. Existe alguma cena nos quadrinhos que vale a pena comentar aqui?

Na minha leitura, ela disse “I love you”. (pequenos corações saem dos olhos de Deisy) Bom, há uma cena emblemática e bastante tocante pra mim em Essex County, do Jeff Lemire (tanto que costumo utilizá-la em minhas oficinas de roteiro). Essa cena mostra o garoto Lester (personagem principal) entendendo que é preciso abandonar sua infância e crescer. Ele deixa sua capa e sua máscara de super-herói em um galho de árvore e segue em direção à casa da fazenda, que está bem longe, e sua sombra projetada é enorme, simbolizando o peso daquela decisão e da caminhada que terá que fazer.

Absolutamente genial. É preciso ter um nível de entendimento da imagem, da semiologia para chegar em soluções assim. Adorei, Milena! Quer mais um mate? É por conta da Veneta mesmo. Agora… chegamos na HORA DA PERGUNTA INDECENTE. Posso? Não é algo que eu queira perguntar, mas preciso seguir um roteiro. Se você fosse uma personagem dos quadrinhos, quem seria? Desculpa.

Você vai me fazer revelar que eu queria ser… Halo Jones?

Muito bom! (risos) Imagine que você está na pele da Halo Jones e seu futuro, por algum motivo, parece desesperador. O que você gostaria de fazer exatamente agora?

Iria me infiltrar numa nave, armada até os dentes, e obrigar o comandante a encontrar um “wormhole” para que toda a tripulação fosse levada a outra dimensão, onde todos nós pudéssemos viver de forma diferente daquela realidade cinza na qual nos encontrávamos.

Sabe que eu tô atrás de um buraco de minhoca desses também. Se achar, por favor me avise. Última pergunta e prometo não te aporrinhar mais. Ao menos, não por enquanto. (piscadinha) Mas gostaria que você fosse sincera. Como foi para você ser abduzida? 

E eu fui, Deisy? Nem percebi…

(segurando delicadamente o antebraço de Milena, diz:) Você não é a única. Obrigada pela entrevista, querida. Aceita uma sobremesa?

Recusar sobremesa é quase um pecado.

Gosta de pettit gateau? Aqui tem um dos deuses!!

milena2

 

 

 

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