João Pinheiro

Kerouac (Devir Editora), Burroughs (Editora Veneta), Projeto Bill (site)

 

Quer pedir um café? Suco?

Café.

(Ao garçom) Moço, vê dois cafés puros pra gente, por favor. Obrigada. (ao João) Vou te fazer algumas perguntas desnecessárias, Little John, tudo bem?

Por favor.

Que diabos aconteceu com você para resolver fazer quadrinhos, hombre?

Assim que fui alfabetizado comecei a ler quadrinhos e fazer minhas próprias histórias (que eram mais ou menos cenas de ação sequenciadas). Depois passei um período sem produzir, fui estudar artes e trabalhar com ilustração. Daí em 2007, tive um impulso de desenhar uma história curta que saiu na revista Front e desde então não parei mais.

Você praticamente nasceu em um quadrinho, então! Agora tudo faz sentido… O que mais te deixa excitado, João, em uma narrativa gráfica? Física ou mentalmente, tanto faz. Fique à vontade.

O ritmo da narrativa e o design das páginas.

E o que é mais broxante?

Coronel Telhada em quadrinhos. (risos)

AU! (recuperando-se de um riso implacável) Uma vez o Rafa foi categórico, como ele sempre é, e disse que os quadrinhos NÃO são o primo pobre do cinema. Acredito que você compactue da mesma ideia. Mas diga aí um quadrinho que seria legal ver nas telonas. Vamos fazer nossos amiguinhos ganhar uma grana com a cessão de direitos autorias ou morrer tentando.

O Vira Lata de Paulo Garfunkel e Libero Malavoglia daria um pusta filme nas mãos certas. Parece até que chegaram a começar um projeto de longa que não deslanchou.

Dá pra sentir aquelas páginas pulsando. Tomara que deslanche. Uma quadrinista foda (fora a Brechdel que reina absoluta por aqui) e porquê?

Marjane Satrapi. Por ter feito Persépolis.

E precisa mais que isso? Não mesmo! Não sei se você leu o quadrinho Gosto do Cloro do Bastien Vivès…. Um casal de personagens está nadando na piscina. Tem uma cena onde ela diz algo debaixo d´água e ficamos sem saber o que ela disse. Aquilo me pegou de jeito. Existe alguma cena nos quadrinhos que vale a pena comentar aqui?

Não li, mas vou procurar. O final da HQ Risco do Marcelo D´Salete, quando o Doca para na frente do mercadinho onde a Eliana trabalha e os dois se abraçam. Essa cena me emocionou de verdade.

É uma puta cena linda mesmo. O Marcelo tem dessas coisas. Talvez ele apareça amanhã por aqui. (para a câmera imaginária, inquerindo) Não é mesmo, Marcelo?? (ao João) Vou te fazer uma pergunta indecente. Posso? (pausa) Não é algo que eu queira perguntar, mas preciso seguir um roteiro. Se você fosse um personagem dos quadrinhos, quem seria? Desculpa.
Hahaha… Não tem problema: Corto Maltese.

Céus, o mundo não está preparado para lidar com três Malteses… (João tenta saber quem é o outro. Deisy contorna a situação e continua a entrevista) Agora, imagine que você está na pele do Maltese e seu futuro, por algum motivo, parece desesperador. O que você gostaria de fazer exatamente agora?

Me retirar para alguma praia de pescadores ou para o Desemboque no triângulo Mineiro.

Perfecto. Última pergunta e prometo não te aporrinhar mais. Ao menos, não por enquanto. (piscadinha!) Mas gostaria que você fosse sincero. Como foi para você ser abduzido?

Foi como dar um rolê descompromissado na Augusta.

Na Augusta de agora ou aquela dos bons e velhos tempos? Não precisa responder. Obrigada pela entrevista. Aceita uma sobremesa?

Aceito mais um café.

Somos dois. Moço!

joao

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3 comentários sobre “João Pinheiro

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