Carolina Ito

Estilhaço (Independente), Salsicha em Conserva (webcomis)

 

Quer pedir um café? Suco?

Pô, será que não tem uma cerva?

Ô se tem! (ao garçom) João, manda uma breja pra gente. A mais gelada que tiver! Valeu. (à Carolina) É, Carol, agora que você está aqui, já era. Vou te fazer algumas perguntas desnecessárias, tudo bem?

Sempre bom.

Massa. (na seca) Que diabos aconteceu com você para fazer quadrinhos?

Comecei com a ideia de fazer uma reportagem em quadrinhos pra entregar como trabalho de conclusão de curso (fiz jornalismo). Precisava treinar mais o desenho e, então, criei o Salsicha em Conserva, em maio de 2014. Mas a ideia de fazer quadrinhos acho que veio da possibilidade de juntar texto e imagem, expressões que me acompanham há um bom tempo.

Aquela mulher com cabeça de porco que fala que não tem nada a oferecer a não ser algumas emoções e tal. Aquilo mexeu comigo, mana do céu… O que me leva a te perguntar: O que mais te deixa excitada em uma narrativa gráfica? Física ou mentalmente, tanto faz. Fique à vontade.

Metáforas nada óbvias que vão me fazer pensar naquilo por vários dias.

Boa! E o que é mais broxante?

Metáforas óbvias e discurso panfletário.

Hahahaha, excelente!

João traz a cerveja estupidamente gelada. Tão estupida que para de rodopiar sobre a mesa. Deisy a agarra com unhas e dentes (sem dentes, claro.) e enche os dois copos até o talo.

Quer propor o brinde? 

Claro! Um brinde às perguntas desnecessárias! (risos)

(estalando a boca – um hábito) Uma vez o Rafa foi categórico, como ele sempre é, e disse que os quadrinhos NÃO são o primo pobre do cinema. Acredito que você compactue da mesma ideia. Mas diga aí um quadrinho que seria legal ver nas telonas. Vamos fazer nossos amiguinhos ganhar uma grana com a cessão de direitos autorias ou morrer tentando.

Cara, eu acho algumas produções que transitam entre audiovisual e quadrinhos do caralho (obviamente, nada de super heróis, Marvel, etc). Uma das minhas HQs favoritas é “Suburbia”, do Pedro Franz, que veio de uma série do Luiz Fernando Carvalho, e os dois trampos são incríveis. Qualquer HQ que fosse pra telona pelas mãos desse diretor ficaria genial (sim, sou fã).

Pô, ia ser foda! Aqueles trampos do Pedro acabam comigo. E o bicho ainda transborda teoria no assunto. Você chegou a ler a tese dele sobre quadrinhos? É pra morrer… E se é pra morrer mais um pouco: Uma quadrinista foda e porquê?

Eu piro no trampo da Gabi Lovelove6, em Garota Siririca, porque ela trata de assuntos delicados de maneira divertida e inteligente. Fora o traço e os movimentos que são fodas.

Ela é um petardo na minha vida. Me salta aos olhos. É outra que tá se esquivando de mim. Já chamei pra tomar umas e tudo. Nada ainda… Será que tô com mal hálito? (baforando entre as mãos. Carolina ri) Não sei se tu leu o quadrinho Gosto do Cloro do Bastien Vivès…. Um casal de personagens está nadando na piscina. Tem uma cena onde ela diz algo debaixo d´água e ficamos sem saber o que ela disse. Aquilo me pegou de jeito. Existe alguma cena nos quadrinhos que vale a pena comentar aqui?

Essa HQ é demaaaais. Chorei. Sempre choro lendo “Persépolis”, na parte que a Marjane fala sobre as flores de jasmim que a avó dela colocava no sutiã pra perfumar os seios… pra mim é algo muito real e poético. Ninguém poderia ter inventado isso!

Meu, essa cena é… Sei como lá como dizer… Ela encheu meus olhos como há tempos não acontecia. (bebendo) Vou te fazer uma pergunta indecente. Posso? Não é algo que eu queira perguntar, mas preciso seguir um roteiro. Se você fosse uma personagem feminina ou masculina dos quadrinhos, quem seria? Desculpa.

Vou dar uma reposta estranha, mas que, pra mim, faz todo sentido. Eu seria a Magali da Turma da Mônica, porque ela só quer comer e foda-se o resto. No fundo, é só isso que importa. E minha fruta preferida na vida é melancia.

Hastag somos todas Magali. (risos) Imagine que você está na pele dessa gulosa e seu futuro, por algum motivo, parece desesperador. O que você gostaria de fazer exatamente agora?

Comer pra caralho? (risos)

E beber pra caralho! (levantando o copo, dando uma golada) Última pergunta e prometo não te aporrinhar mais, Carol. Ao menos, não por enquanto. (piscadinha) Mas gostaria que você fosse sincera. Como foi para você ser abduzida?

Foi uma delícia. Tá livre na sexta?

Hahahah, dos pés à cabeça! Se for pra beber contigo, simbora, querida. Aliás, mais uma rodada? Já tratei com meu santo hoje e ele me liberou. Hoje é dia!!

Deisy e Carolina viram a noite bebendo. Uma fileira de garrafas se estende debaixo da mesa. Alguns caras quiseram chegar. Algumas mulheres também. Elas estavam imersas demais em sua própria conversa. Fugiram dos quadrinhos e descambaram para outros mundos. Como deve ser.

carolina-ito

 

 

 

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