Tainan Rocha

Deus Te Abandone (Sesi), Imagine zumbis na Copa (Giz Editorial), Máquina de Sujar, (Independente), professor na Quanta.

 

Quer pedir um café? Suco?

Ah, aquele cafezinho agora, depois da feijuca… cairia bem viu!

Bem demais! (chama o garçom) João! (ao Tainan) Sem bem que vi uma matéria que dizendo que faz mal tomar café logo em seguida porque ele elimina a absorção de alguns elementos pelo corpo. O ideal seria beber só daqui a… uma hora… mais ou menos.

O garçom se aproxima. Lembra da noite passada em que João a atendeu no hotel e cai em si, envergonhada. Ainda está na última hora da ressacada. Se houvesse lembrado antes, teria escolhido outro bar) 

Oi, João. Achava que eu trabalhava demais, mas você, cara…

É o jeito. (diz, o garçom, segurando o bloquinho para anotar os pedidos)

Manda dois cafés pra gente, por favor. (enfática) Obrigada. (ao Tainan) Vou te fazer algumas perguntas desnecessárias, tudo bem? (deixando de observar o garçom que foi preparar os pedidos)

Opa! Sou todo ouvidos, baby… desculpa, quis dizer Deisy.

Não esquenta, honey. Quer dizer, chuchu… opa, mozim… Cara, tá difícil! (risos) Que diabos aconteceu com você para fazer quadrinhos, (quase soletra) favo de mel? 

Aquela velha história lá né… desde muito miúdo sempre curti encher as folhas de rabiscos. E me lembro que naquela época, bem como a janela do meu quarto, o orçamento lá em casa tinha uns rombos… aí eu já arriscava as primeiras narrativas satirizando a situação e minha mãe corujona as colava pra tapar os rombos no vidro! (risos)

O café é servido. Algo mudou na maneira em que Deisy encara o João. Um misto de vergonha, confidência e respeito.

Obrigada, João. (assoprando o café antes do primeiro gole)

Depois disso, uma coisa foi levando a outra… (açucarando o café) Na escola, mais desenhava do que anotava as matérias, ilustrava as capas de trabalho da galera em troca de notas, lia gibis de super heróis e lá, um belo dia eu vi umas propagandas da Fábrica de Quadrinhos (atual Quanta Academia de Artes) lugar onde passei de aluno à funcionário até hoje! (provando o café pra ver se ficou bom. Ficou)

WOooooooowww! (tamborilando na mesa) Aí, sim, meu amigo! Uma verdadeira história de superação. Um “case” de sucesso! (risos) O que mais te deixa excitado em uma narrativa gráfica? Física ou mentalmente, tanto faz. Fique à vontade.

Hummm… ó, eu confesso que dou uma ovulada no momento de fazer os thumbnails, dichavando o roteiro, e claro, depois de toda a via sacra da produção, quando eu pego a criatura assim que ela sai da encubadora (gráfica). (bebendo outro gole)

Dá uma emoção, não dá? Mas não sabia que você também ovulada. Que lindo, isso… Então, agora, vou ter que perguntar pra você: o que é mais broxante? (sorrindo antes do café)

Quando eu finalmente acerto a mão, tô empolgado e, seja lá qual for motivo, tenho que levantar da cadeira (a não ser, é claro, que se trate de buscar uma cerveja na geladeira).

Hahah, o homem é uma máquina, Senhor!! Mas por uma breja… que pare o mundo! Uma vez o Rafa foi categórico, como ele sempre é, e disse que os quadrinhos NÃO são o primo pobre do cinema. Acredito que você compactue da mesma ideia. Mas diga aí um quadrinho que seria legal ver nas telonas. Vamos fazer nossos amiguinhos ganhar uma grana com a cessão de direitos autorias ou morrer tentando.

Compactuo, sem dúvida! Principalmente por achar que mesmo sendo próximas, cada linguagem tem algo de único e especial em si do qual ambas não conseguem simular.

E quanto ao filme, tá ligada que eu leio MESMO o seu blog, né?

Sério?! Nossa… não sabia que alguém lia essas coisas… Cara… No duro? Mesmo? (por trás do café, Tainan acena que sim)

Então, vou reforçar a resposta de um dos entrevistados aqui anteriormente… Eu gozaria se alguém tivesse culhão de bancar uma adaptação do Diomedes do mestre Mutarelli!

Chegaram perto. Não sei o que rolou… Ninguém sabe. Acho que nem o Muta. (virando a xícara) Uma quadrinista foda e porquê? 

Sem pestanejar e se me permite, aí vão duas… a Julia Bax e a Psonha Camacho, ambas pelo mesmo motivo de: desenho delicado/classudo e de alguma forma agressivo ao mesmo tempo. E o tesão pela produção que elas possuem que é invejável! Além disso tudo, numa roda de bar elas dão um pau num monte de marmanjo barbado que eu conheço, (mexendo a xícara para pegar bem o açúcar do fundo) inclusive eu! Hahaha. (terminando o café)

E eu também! Elas são gigantes!! Você tem um contato mais “assim” com elas?  Já tentei chamar as duas prum cafezinho na boa e nada…

Vejo mais a Psonha, na real toda a semana… Mas enfim, vou falar pra elas te procurarem, vocês vão se entender bem! (sorrindo)

Ah, que legal! Sinto isso também. Em algum lugar de mim, sei lá, sinto o mesmo. Bem, não sei se você leu o quadrinho Gosto do Cloro do Bastien Vivès….  

Putaqueopariu! Baita hq, coisa phyna mesmo…

Sabe aquela cena onde ela diz algo debaixo d´água e ficamos sem saber o que ela disse? Aquilo me pegou de jeito. Existe alguma cena nos quadrinhos que vale a pena comentar aqui?

Me veio várias cenas, na real, mas diante da difícil tarefa de escolher uma, ficarei com a cena em que o Max (personagem da hq Xampu – Lovely Losers do Roger Cruz) levanta pra ir ao banheiro de um bar podrinho pra caralho (tipo esse aqui que a gente tá) e na hora de mijar, trava uma batalha, soltando jatos de mijo num “objeto” que ali flutuava na privada. É impagável!

Credo! Que porqueira… (risos) Vou te fazer uma pergunta indecente. Posso? Não é algo que eu queira perguntar, mas preciso seguir um roteiro. Se você fosse um personagem masculino ou feminino dos quadrinhos, quem seria? Desculpa.

Acho que eu gostaria de ser o Calvin. (do Calvin e Haroldo)

Imagine que você está na pele do Calvin e seu futuro, por algum motivo, parece desesperador. O que você gostaria de fazer exatamente agora?

Sair pra brincar na neve e deixar tudo explodir, foda-se! (risos)

Agora, uma coisa curiosa nisso. Todo mundo quer ser ou o Calvin ou o Minduim. Quanta meiguice nesse mundo, não é? (risos) Última pergunta e pronto! prometo não te aporrinhar mais. Ao menos, não por enquanto. (piscadinha) Mas gostaria que você fosse sincero, Tai. Como foi para você ser abduzido? 

Porrra, foi uma delícia, Deisy, obrigado! Se quer saber, foi bem mais prazerosa do que a experiência que tive em 1989.

Obrigado? Do que você tá falando?! Obrigado pelo quê? Não te abduzi em nada. Tá doido? Mas eu sei o que é isso: são sequelas da experiência que passou, algo além da síndrome de Estocolmo. Você vê os sequestradores em todos a sua frente. Difícil, hein? (dando pequenas batidas confortadoras em seu ombro. Inclina-se para confidenciar algo) Sobre o que aconteceu em 1989, melhor não sair por aí comentando abertamente. (sacando o redor) Vamos deixar Voronezh com os russos, ok? (voltando-se à posição original) Obrigada pela entrevista, beibe. Aceita uma sobremesa?

(Tenta dissimular o nervosismo) Ó, duvido que eles tenham aqui aquelas tortinhas de morango… então, vou aceitar o Pé de Moleque ali do balcão mesmo!

Cara, não duvidaria se fosse você. Mas aquele “Pé de Moleque” tá mesmo olhando pra gente. (piscando em código. Levanta-se em direção ao balcão. Pega o pote transparente cheio de Pés de Moleques) Parece inofensivo. Mas isso aqui tem tanta caloria que pode te matar um dia. 

Deisy atira o pote sobre um dos clientes que estava sentado na mesa ao lado, na casa dos quarenta anos e nenhum um pouco suspeito, e sai correndo. Tainan não entendeu bulhufas, nem o pobre homem. Tainan sai correndo atrás, por impulso.

tainan-quanta

 

 

 

Anúncios

Um comentário sobre “Tainan Rocha

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s