Felipe Folgosi

Aurora (Instituto dos Quadrinhos)

Quer pedir um café? Suco?
Eu não como carne. Brincadeira, pode ser uma água, obrigado.

Hahha, aquela festinha lá em casa foi foda, né? Desculpa ter sumido daquele jeito. Não sei, acho que eu tava meio alterada. Deixa eu fazer o pedido. (ao garçom um pouco distante) João! (ao Felipe) E o Aurora, gato, como é que está indo? Pensa em fazer uma continuação? 

O Aurora está indo de vento em popa, muita gente lendo e gostando, tô bem feliz com o resultado. Sim, já estou trabalhando na continuação. Devo lançar uma outra história esse ano e a continuação em 2017.

Ô coisa boa! (o garçom se aproxima) Vê pra gente uma água sem gás e um cafezinho. Obrigada. (ao Felipe) Vou te fazer algumas perguntas desnecessárias, tudo bem?
Insólitas sim, desnecessárias nunca. Fica à vontade.

Que diabos aconteceu com você para fazer quadrinhos?
Sonho de criança. Comecei lendo quadrinhos cedo, junto com a alfabetização. Meu pai gostava de quadrinhos, tinha uma coleção escondida de Manara e Moebius. Ele me iniciou na época com os da RGE, Marvel e Recruta Zero. Depois já na Abril, com a DC e Maurício de Souza. Um pouco depois Asterix, Calvin, Garfield, MAD, e daí no começo da adolescência Chiclete Com Banana, Circo, Bob Cuspe, Piratas do Tietê, Níquel Náusea e por aí vai. (o garçom traz os pedidos. Eles agradecem) Com uns quinze dei uma parada porque a grana ficou curta. (abrindo a garrafinha d´água) Acabei mais tarde fazendo cinema, me especializando em roteiro mas acabaram se acumulando na gaveta. Então a ideia de adaptar os roteiros para a quadrinhos, que durante muitos anos foi minha mídia preferida, pareceu perfeita. (vira um gole d´água)

Excelente. Agora, o que mais te deixa excitado em uma narrativa gráfica? Física ou mentalmente, tanto faz, Felipão. Fique à vontade. (tomando seu cafezinho)
Bom como citei o Marara, quando moleque ficava literalmente excitado! (risos) Acho que o que torna essa narrativa única é o controle do tempo. No áudio visual, o tempo é ditado pelo editor, como espectador você é obrigado a seguir aquele determinado ritmo. Na literatura você também segue o fluxo ditado pelo autor, você pode parar e reler um trecho, mas vai estar preso novamente ao mesmo fluxo. Nos quadrinhos você dita o fluxo, o olhar passeia pela página com liberdade. Já fiquei minutos apreciando um único quadro, tendo um prazer estético quase físico.

Ai meu deus, antes que você chegue nesse prazer estético, me diz aí: o que é mais broxante? (risos)
Uma das coisas que me incomoda é quando a arte e o texto destoam, não encaixam, não trabalham juntos para criar uma linguagem em comum.

Broxei… Uma vez o Rafa foi categórico, como ele sempre é, e disse que os quadrinhos NÃO são o primo pobre do cinema. Acredito que você compactue da mesma ideia. Mas diga aí um quadrinho que seria legal ver nas telonas. Vamos fazer nossos amiguinhos ganhar uma grana com a cessão de direitos autorias ou morrer tentando.
Concordo, os quadrinhos são uma arte por si só. Mas literatura e teatro tem sido fonte de adaptações para o cinema desde o início, então porque não os quadrinhos? Gostaria de ver um live-action do Ronin por exemplo.

Uhhh, isso seria lindo de ver. Uma adaptação competente, claro. Um quadrinista foda e porquê?
Um cara que conheci em uma feira e achei o trabalho incrível foi o Agustin Graham Nakamura, um argentino descendente de japoneses, autor do “Zero Point“. Material de primeira, história bacana, arte incrível, mas principalmente o domínio narrativo me impressionou.

Sim, ele é mesmo incrível. Não sei se você leu o quadrinho Gosto do Cloro do Bastien Vivès…. Um casal de personagens está nadando na piscina. Tem uma cena onde ela diz algo debaixo d´água e ficamos sem saber o que ela disse. Aquilo me pegou de jeito. Existe alguma cena nos quadrinhos que vale a pena comentar aqui?
Não li, mas só pelo que você disse me interessei. Tem o conto “Aju” do Arais na coletânea “Colateral” que achei genial.

Olha só! Vou atrás. Amore, vou te fazer uma pergunta indecente. Posso? Não é algo que eu queira perguntar, mas preciso seguir um roteiro. Se você fosse um personagem masculino ou feminino dos quadrinhos, quem seria? Desculpa.
Acho que quem mais me senti parecido ao longo dos anos foi o Charlie Brown.

Ounnn… Imagine que você está na pele do Minduim e seu futuro, por algum motivo, parece desesperador. O que você gostaria de fazer exatamente agora?
Beijar a menininha ruiva.

Eu também. Última pergunta e prometo não te aporrinhar mais. Ao menos, não por enquanto. (piscadinhaMas gostaria que você fosse sincero. Como foi para você ser abduzido?
Gostei muito, inclusive estou vendo um terreninho em Alfa Centauri.

É, dizem que vem uma bolha imobiliária por aí. Se fosse você esperava um pouquinho. Fê, obrigada pela entrevista. Aceita uma sobremesa?
Pode ser na sua casa?

Hmmm, que safadinho… Claro que pode, meu anjo. Só vou pagar a conta e…

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