Cassius Medauar

Editor da JBC

Quer pedir um café? Suco?

Café. Sempre café. O melhor amigo do jornalista/editor.

Da quadrinista também! (ao garçom que já estava ao lado da mesa pronto para anotar os pedidos) Dois cafés, João, por favor. Obrigada. (ao Cassius) Vou te fazer algumas perguntas desnecessárias, tudo bem?

São as que mais gosto de responder.

Ufi! Que diabos aconteceu com você para resolver editar quadrinhos? 

Bom, eu diria que sorte. Apesar de ser colecionador desde pequeno, nunca pensei em trabalhar com quadrinhos. Na faculdade consegui emprego na Abril Jovem e, mais tarde, graças aos amigos que fiz lá, acabei entrando na Conrad. O resto é historia.

E que história, meu amigo, que história! No bom sentido, você está me levando à falência com o que está fazendo na JBC. (risos. O café é servido. Eles agradecem) O que mais te deixa excitado em uma narrativa gráfica? Física ou mentalmente, tanto faz. Fique à vontade. (soprando o cafezinho antes de dar o primeiro gole)

Uma história foda. Sempre. Se vier casada com desenhos incríveis, daí a coisa fica perfeita. Tipo Planetary, por exemplo. Ou Bando de Dois(provando o café)

Uhhhh, com toda razão! E o que é mais broxante?

O oposto. Historia ruim, repetitiva. Tanto para o clichê quanto pra historia cabeça que quer ser a última coca-cola do deserto.

Aí fica difícil mesmo. Uma vez o Rafa foi categórico, como ele sempre é, e disse que os quadrinhos NÃO são o primo pobre do cinema. Acredito que você compactue da mesma ideia. Mas diga aí um quadrinho que seria legal ver nas telonas. Vamos fazer nossos amiguinhos ganhar uma grana com a cessão de direitos autorias ou morrer tentando. (mais um gole)

Concordo, sem duvida alguma. Acho que, ao contrário, os quadrinhos estão sendo a salvação da industria cinematográfica nos últimos tempos.

No ponto.

Atualmente é difícil sugerir algo que não foi ou não está sendo feito. Ficarei com os clichês. Eu gostaria de ver bons filmes do Aranha (gostei do 1 e do 2 do Raimi), ou quem sabe O Cavaleiro das Trevas mesmo, mas bem feito. (bebendo o café)

É, é esse “bem feito” que está sendo difícil de se conseguir. Uma quadrinista foda e porquê? 

Falarei de três.

S’il vous plaît.

Gail Simone, detona num universo machista pacas que são os comics americanos, sem nunca perder o humor. Grupo Clamp, talvez as quadrinistas mais famosas do mundo, que fazem sucesso há um tempão e continuam. E a Erica Awano, por se destacar como desenhista em dois mercados machistas ao mesmo tempo, os quadrinhos e o RPG, e ainda em uma época bem mais complicada. (café)

Ah, dá até dó dos machinhos… Mentira. São três referências esmagadoras sem dó nem piedade. Não sei se você leu o quadrinho Gosto do Cloro do Bastien Vivès…

Sim, li sim, achei bem legal.

Massa. Tem aquela cena onde ela diz algo debaixo d´água e ficamos sem saber o que ela disse. Aquilo me pegou de jeito. Existe alguma cena nos quadrinhos que vale a pena comentar aqui?

Gosto demais do Final de Slam Dunk, um mangá de basquete. Na cena um dos protagonistas sobe pra fazer o arremesso, cercado por três, faltando três segundos, e de canto de olho, vê seu companheiro (mas também seu rival) parado, no garrafão, esperando o passe e em posição de fazer o arremesso mais básico do basquete, que é apenas o que ele sabe fazer. (virando a xícara)

Espero que tenha terminado assim porque isso seria genial. Vou te fazer uma pergunta indecente. Posso? Não é algo que eu queira perguntar, mas preciso seguir um roteiro. Se você fosse um personagem masculino ou feminino dos quadrinhos, quem seria? Desculpa.

Huuummmm, deixa eu pensar. Acho que o Corto Maltese.

Ora, ora, ora. Pois muito bem, imagine que você está na pele do Corto e seu futuro, por algum motivo, parece desesperador. O que você gostaria de fazer exatamente agora?

Bom, ficou fácil pelo personagem que escolhi. Eu iria viajar. (Deisy ri baixinho) Não como fuga, mas como meio de pensar em uma solução para o futuro. Ainda que essa solução fosse seguir viajando. (matando o café)

E se ainda houver futuro. Última pergunta e prometo não te aporrinhar mais. Ao menos, não por enquanto. (piscadinha) Mas gostaria que você fosse sincero, Cassius. Como foi para você ser abduzido? 

Não sei se meus captores aliens vão ficar felizes se eu contar, mas… até que foi tranquilo. Me devolveram sem memória e com isso não fiquei com nenhum trauma. Só fico com um medo irracional, sem saber porquê, quando assisto Arquivo X.

Nossa, você também?? Principalmente aquela musiquinha de abertura. Parece ligar algumas conexões entre as minhas vértebras porque sinto um gelo na espinha que é um negócio de louco! Bem, querido, obrigada pela entrevista. Aceita uma sobremesa?

De nada, imagina. E aceito mais um café para encerrar!

“O melhor amigo.” O pessoal que tem o uísque como melhor amigo deve nos olhar com certo desgosto. Tsk, tsk, tsk… João!

Enquanto o garçom atende ao pedido, a música tema de abertura do Arquivo X com seu assovio sinistro ecoa por todo o bar. Os dois ficam estarrecidos!

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