Zé Oliboni

Diletante Profissional (site)

 

Quer pedir um café? Suco?

Café, mas algo me diz que vodka seria melhor nesse momento.

Pura?

Claro. Pra que estragar a perfeição?

Moço, vê duas vodkas PURAS pra gente. Vou te fazer algumas perguntas desnecessárias, Zé, tudo bem?

Pagando bem.

Que diabos aconteceu com você para resolver criar o Diletante Profissional?

Eu sempre gostei de ter um blog, tive vários, tive um site chamado Pop Balões enfim. Daí chegou em um momento que eu adotei duas epígrafes: Ex-Futuro Brilhante e Diletante Profissional. Diletante é um pouco mais positiva.

Também acho.

E tem um sentido legal, eu faço várias coisas por prazer (desenhar, cozinhar, ler, assistir) e gosto de ir a fundo nessas coisas, tratá-las com profissionalismo no sentido de qualidade e não em termos de receber por isso ou viver disso. Daí surgiu o blog que em algum ponto me incomodou estruturalmente e eu reformulei como uma cara de site e é essa versão que se tem hoje no www.diletanteprofissional.com.br

Aquelas webcomics que você está fazendo com o Lielson estão ficando bem legais. Bem, o que mais te deixa excitado em uma narrativa gráfica? Física ou mentalmente, tanto faz. Fique à vontade.

Uma narrativa rápida. Aquela coisa que faz você virar as páginas desesperadamente. Não me importo de ler em cinco minutos uma HQ de 100 páginas se ela for dinâmica visualmente.

E o que é mais broxante?

Excesso de texto e texto desnecessário. O quadrinho é muito ingrato com o roteirista, porque o visual chama muito atenção o leitor no geral pensa que o roteirista só escreve o que está nos balões e recordatorios. Quem faz sabe que não é nada disso, que o roteiro descreve tudo, onde estão os quadros, o que está em cada quadro, então um quadrinho sem texto algum teve um roteirista, que, na minha opinião, é muitas vezes melhor em muitos sentidos do que um roteirista prolixo. E tem outro agravante nesse setor chamado: Allan Moore. Ele é um roteirista engenhoso e extremamente importante para os quadrinhos, mas ele destruiu uma geração de roteiristas que passou a achar que bom é escrever pra caralho, é ter uma imagem, um diálogo, um recordatório e um poema obscuro, tudo no mesmo 1/6 de página. O que era bem bem razoável na época. Mas o leitor amadureceu, hoje você pode inferir um monte de coisas, você não precisa tratar o leitor como um idiota que não compreende a imagem e precisa de um recordatorio repetindo aquilo.

Uma vez o Rafa foi categórico, como ele sempre é, e disse que os quadrinhos NÃO são o primo pobre do cinema. Acredito que você compactue da mesma ideia. Mas diga aí um quadrinho que seria legal ver nas telonas. Vamos fazer nossos amiguinhos ganhar uma grana com a cessão de direitos autorias ou morrer tentando.

Eu queria ver o Diomedes do Mutarelli como uma trilogia de filmes ou uma série.

Adoro o Dobro de Cinco! Acho até que está em processo. Mais algum?

Queria ver Holy Avenger (porque eu adoro um épico). E sei lá, tudo que é muito narrativo cabe em um filme (que se não for tão bom quanto a HQ pelo menos rende um dinheiro para o autor) então Klaus, a Vida de Jonas, Bear, Cachalhote, Dias interessantes e, porque não, o Bulldogma.

Hahahaha, se a sua intenção é me seduzir, está conseguindo. Uma quadrinista foda e porquê?

Nem preciso ir muito longe porque no Brasil tem umas minas excelentes. Gosto muito da Bianca Pinheiro, da Cris Eiko, da Juliana Loyola, da Julia Bax, da veterana  Érica Awano que já estava quebrando tudo antes dessas garotas. Mas tem uma pessoa que eu acho muito foda, nem tanto pela virtuosidade visual, mas pela história como artista que é a Germana Viana.

A Germana é formada em artes e ficou um tempão nas margens, nos bastidores e um dia ela desencantou e começou a mandar ver e de lá pra cá foi uma curva ascendente assombrosa. Eu acho isso foda pra caralho.

Põe foda nisso. Entre uma leitura e outra, idolatrar a dúvida ou elogiar a certeza?

A dúvida com certeza. HAHAHAHAAHA. A dúvida move a humanidade, da dúvida parte a busca e toda a certeza tende a ser idiota porque o que é certo hoje, amanhã alguém contesta. Certeza de mais faz mal ao fígado.

Nada que a vodka não resolva. Não sei se você leu o quadrinho Gosto do Cloro do Bastien Vivès…. Um casal de personagens está nadando na piscina. Tem uma cena onde ela diz algo debaixo d´água e ficamos sem saber o que ela disse. Aquilo me pegou de jeito. Existe alguma cena nos quadrinhos que vale a pena comentar aqui?

Tem um tipo de cena que me pega muito, mas é uma espécie de prazer culpado porque é bobinha. É aquele momento em uma história com um crescente épico que alguém retorna pra ajudar o único cara que ficou lutando. É o clichê da cavalaria, mas que, pra mim, por mais bobinha que seja a história e essa cena é foda sempre. Parece que sobe a música e vai. Pra dar dois exemplos atuais bem bobinhos naquelas graphics com personagem do Mauricio de Sousa, que seguem formulinhas narrativas, em Penadinho Vida, no pior momento a Dona Morte aparece na história e estende a mão: “você aceita minha ajuda”. É bobo pra caralho, mas pra mim funciona sempre, tem um momento assim também na Turma da Mata e vai ter em todos esses “épicos”

Posso ficar olhando pra você mais um pouquinho? (risos) Vou te fazer uma pergunta indecente. Posso? (pausa) Não é algo que eu queira perguntar, mas preciso seguir um roteiro. Se você fosse um personagem dos quadrinhos, quem seria? Desculpa.

Te desculpo se você permitir que não seja de quadrinhos (se bem que tem quadrinhos também desse personagem).

Permito tudo à você.

Eu seria o Doctor (da série Doctor Who), eu acho um personagem fantástico, sempre viajando pelo tempo e espaço, de crise em crise, resolvendo quase todo tipo de problema muitas vezes só na conversa.

A conversa já me levou pra cama várias e várias vezes. Mas não vem ao caso. Imagine que você está na pele desse personagem e seu futuro, por algum motivo, parece desesperador. O que você gostaria de fazer exatamente agora?

Isso que é sensacional no Doctor, tudo sempre se resolve, ele pode pegar a TARDIS e viajar no tempo, ou mesmo no momento mais desesperador ele não morre, regenera.

Sei… Última pergunta e prometo não te aporrinhar mais. Ao menos, não por enquanto. (piscadinha) Mas gostaria que você fosse sincero. Como foi para você ser abduzido? 

Acho que a primeira vez sempre é mais estranho. Mas depois que você conhece as pessoas (seriam pessoas?) você já chega cumprimentando todo mundo e é como aquela reunião com amigos que você vê de vez em quando.

Obrigada pela entrevista, querido. Aceita uma sobremesa?

Claro, sempre.

 

flerte3

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2 comentários sobre “Zé Oliboni

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